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A Deusa mãe está em todas nós, na luz e nas sombras.

A Energia da Deusa mãe

A Mãe gera e nutre, e não cobra nada em troca.

Toda mulher tem dentro de si as três faces da Deusa: a Donzela, a Mãe e a Anciã.

A Donzela e a que inicia, a força que impulsiona, o entusiasmo. A Mãe gera, a Mãe nutre, a Mãe acolhe os filhos no ventre e os alimenta com seus seios , com seu leite. A Mãe acolhe as dores de todos em seu colo generoso.

Mesmo as mulheres que nunca passaram pela experiência da maternidade ou da gravidez conhecem esse poder. Toda mulher e uma nutriz; de seus filhos, sua família, de seus projetos,e principalmente de si mesma.

Há milênios a tarefa de alimentar tem sido preferencialmente das mulheres, mesmo em sociedades matriarcais. Nosso corpo e nosso espirito são capazes disso. Podemos usar essa força a nosso favor.

A imagem mais antiga da Deusa Mãe e a Vênus de Willendorf, que remonta aos tempos da cavernas. E uma estatua representando uma mulher gravida, ventre redondo e seios fartos, um símbolo de vida e fertilidade.

Ela é a mulher que tem segurança e autoridade para se afirmar profissionalmente. Já não e mais a Donzela inciante! Tem as rédeas de sua vida e de seus filhos. Tem dentro de si o Amor necessário para lidar com tudo e todos. Ela é a mulher que cuida, porque já sabe cuidar de si mesma. E a que gera e da a luz o que quiser: filhos, projetos, ideias, realizações. A que se doa integralmente aquilo que acredita. E faz acontecer!

Ela e a Lua cheia, o verão, o auge, a concretização. Não tem o entusiasmo da Donzela nem a sabedoria da Anciã, mas tem força para si mesma e para os filhos. Ela literalmente da Vida a tudo.

Alguns exemplos de deusas Mães são Deméter (grega, que se sacrifica por sua filha Perséfone) , Gaia (que gerou toda a vida do planeta), Isis (egípcia, que curou seu filho Hórus) .

Podemos ver traços desse aspecto do sagrado feminino também em orixás das religiões de matriz africana: Iemanjá, com seus longos cabelos oceânicos, Amor tao grande quanto o mar, e uma linda visão da Deusa Mãe.

Maria, a Mãe de Jesus, tem muito em comum com a Deusa Mãe. Temos a Nossa Senhora do Bom Parto, que abençoa mulheres no momento de dar a luz; temos centenas de representações Dela com seu Filho nos braços, e ate mesmo ao seio. Há também uma imagem muito famosa de Maria amparando Jesus na hora de sua morte, porque uma Mãe jamais se afasta de seus filhos.

E não e isso que pedimos a ela na famosa oração que leva seu nome?

A Deusa mãe está em todas nós

No Sagrado Feminino, mulheres de todas as culturas, religiões e crenças aprendem a se desvincular de padrões de beleza e regras pré-estabelecidas pela sociedade. Elas descobrem como se amar exatamente como são e passam a se enxergar como verdadeiras “Deusas”. Afinal, o ato de gerar, parir, nutrir, amar e intuir pode ser considerado uma dádiva proporcionada às mulheres.

Nesta filosofia de vida, as mulheres passam a valorizar mais seus ciclos naturais, como a menstruação, a maturidade, a gestação, o parto e a amamentação. No entanto, não são induzidas a serem radicais ao viver esses períodos ou exercer determinadas funções. O valor está em aceitar a naturalidade das coisas, seu histórico de vida, vontades e capacidades. Aprendendo a se conhecer de forma mais profunda e a aceitar os acontecimentos da vida e a si mesma, as feridas começam a ser curadas e as mulheres passam a ser mais felizes, amáveis e únicas.

Você descobre, então, que ser mulher não significa ter um parto natural, amamentar ou se sentir bem na própria pele quando está grávida. Na verdade, o objetivo é entender como você traz seu amor e feminilidade para todas essas fases da vida.

Todas as mulheres, tendo filhos ou não, tem a Mãe dentro de si.
Busque-a quando estiver precisando de força, capacidade de gerar, nutrir, fazer algo crescer.

Cuidado, no entanto com o extremo da energia da Mãe: o excesso de doação! Se você se doa demais aos seus “filhos” , não terá alimento suficiente para si mesma. Lembre-se sempre de ser sua própria Mãe também!

E não se esqueça que filhos (humanos ou não…) são criados para o mundo. Uma vez gerados, alimentados e orientados, eles seguem seu caminho. Conheça o momento de deixar as coisas seguirem por si só.

Ritual

Sugerimos um pequeno ritual para “acessar” sua força de Deusa Mãe. Isso pode ser feito quando você sentir que e necessário “dar a luz” a algo: um projeto, um novo emprego, uma viagem, uma mudança na família….

Pegue uma casca de ovo vazia (ou esculpa esse formato em argila).
Encha com um pouco de terra e plante uma semente da sua escolha em uma noite de Lua Nova.
Mentalize as seguintes palavras:
“Plantarei as sementes do meu sonho na terra fértil da minha imaginação e aguardarei uma colheita de Amor, Criatividade e Harmonia” .
Mantenha o ovo em um lugar aconchegante de sua casa e aguarde a Mãe lhe mostrar seus dons.

Fiquem todos com a força e generosidade da Mãe.

Sem o fim, não pode haver um novo começo. Conheça o aspecto destruidor da Deusa.

O aspecto menos compreendido da Grande Mãe – e, por isso, o mais temido – é a Deusa Negra, a Face Ceifadora.

Assim como a Donzela, a Mãe e a Anciã regem etapas do eterno ciclo da vida – do nascimento (plantio), amadurecimento (florescimento e frutificação) e do inevitável declínio, a Deusa Negra encerra o ciclo e representa a decomposição e a morte.

Como Ceifadora, ela é a destruidora de tudo que esgotou seu tempo, de tudo que cumpriu sua finalidade e não serve mais. É ela quem limpa a terra após a colheita para o repouso necessário à germinação de novas sementes. Seu poder é da Lua Negra, dos mistérios ocultos na escuridão, do vazio e do silêncio que antecedem o surgimento da luz, o raiar do dia e o começo de um novo ciclo. Ela ensina que sem morte não há renascimento, sem fim não pode haver um novo começo, sem dissolução do velho não há a renovação.

Como mestra da escuridão, ela orienta e conduz ao encontro da “sombra”, o aspecto perturbador e renegado do próprio ser. Se você pedir sua ajuda e tiver a coragem de mergulhar nas profundezas de seu mundo interior para descobrir, encarar, reconhecer e aceitar sua sombra, você encontrará sua autêntica identidade, livre das máscaras da personalidade. Confrontar, contemplar e assimilar o poder da sombra representam a verdadeira iniciação nos mistérios da Deusa Escura e da Lua Negra, iniciação que exige, como preço, mudanças, transformações e novos rumos. “Abraçar a sombra” significa aceitar-se assim como você realmente é – mescla de dor e alegria, medo e coragem, conquistas e perdas, sucessos e fracassos, acertos e erros, luz e sombra. Somente assim encontrará seu verdadeiro e completo poder de mulher e a integração de sua totalidade.

São manifestações da Deusa Negra: Hécate, Kali, Baba Yaga, Lilith, Cailleach, Morrigan, Hel, Ran, Sekhmet, Ereshkigal, Coatlicue.

Outro aspecto que foge da costumeira manifestação da Deusa Tríplice, relacionada à lua crescente, cheia e minguante, é a Rainha, conhecida como a Imperatriz e as rainhas dos naipes do Tarot.

Esta face da Deusa corresponde à fase da lua balsâmica, entre a lua minguante e a negra. Ela rege a maturidade, entre os 40 e os 50 ou mais anos, da mulher que ultrapassou ou negou a fase da maternidade, que está no auge e plenitude de sua expressão, afirmação e realização, mas que ainda não atingiu a sabedoria da Anciã.

Nessa fase, chamada de pré-climatério, ocorrem mudanças no corpo físico, a mente torna-se inquieta, os pensamentos são voláteis e tumultuados, a percepção é aguçada, a sensibilidade exacerbada, as emoções em conflito. É um período de inquietação e aparentes contradições, de mudanças de gostos e atitudes, de busca de “algo” vago ou indefinido no campo espiritual, profissional ou afetivo. Surgem temores em relação ao futuro, o medo do desconhecido, a preocupação com o envelhecimento, ainda mais em uma sociedade que enaltece o valor e o viço da juventude.

Dependerá da mulher passar por esta fase com dor ou com a alegria de quem já venceu batalhas, cumpriu deveres, plantou e colheu e está se aproximando de um tempo de paz e realização interior, com a segurança da experiência e as promessas de futura sabedoria.

Abençoar esta fase, rever o passado e transmutar os resíduos com o auxílio da Deusa Negra, agradecer à Donzela e à Mãe pelo plantio e a colheita, são medidas recomendáveis que abrem as portas para a Grande Mudança, quando seu sangue não mais será vertido, mas retido em seu ventre, e quando o tempo assinalará sua coroação – não mais como Rainha, mas como uma Sábia Mulher Coroada, herdeira das Matriarcas e das Mães de Clã do passado ancestral.

Kali, a negra mãe do templo

Kali Ma, a deusa ancestral hindu é venerada na Índia como um arquétipo de Devi, a Grande Mãe, de quem tudo se origina e para quem todos devem retornar. Apesar de Kali ser na verdade uma deusa Tríplice: da criação, preservação e destruição, é este seu ultimo aspecto que é mais conhecido e – para nós ocidentais – o mais difícil de compreender e aceitar, por parecer primitivo e atemorizador. Representada como uma Deusa negra, nua, com os dentes à mostra e a língua de fora, adornada por uma guirlanda de caveiras e dançando vitoriosa sobre o cadáver de Shiva, o seu consorte, Kali desafia a imagem estereotipada da Mãe Divina bondosa e amorosa e desperta nossos medos atávicos da morte e do desconhecido.

No entanto, se procurarmos conhecer seus símbolos, ultrapassando a dicotomia conceitual do bem e do mal, poderemos paulatinamente perceber toda a beleza, plenitude e grandiosidade de Kali como sendo a própria Mãe do Tempo, cuja eterna dança entre a vida e a morte nos leva da destruição para a regeneração. Uma vez compreendida sua força e seu poder transformador, Kali nos oferecerá a libertação de todos os medos – inclusive perante a morte –, livrando-nos assim dos apegos, das fantasias e das ilusões.

Observar e acatar a impermanência da vida significa aprender a difícil lição do desapego e da renúncia. A entrega é difícil, presos como estamos nas teias das ilusões, nas amarras dos apegos, na trama das compensações, que nos fazem cair novamente nas armadilhas das sensações. Acreditamos que não podemos – e nem sabemos – como renunciar, nos desapegar, mudar, deixar ir, fluir, pois para renascer, primeiro precisamos morrer. Morrer para que o velho ego dê lugar para um novo Eu, descobrindo assim a nossa verdadeira identidade e assumindo a responsabilidade pelas conseqüências das nossas ações. Como estamos vivendo na ”era de Kali” (segundo a cosmologia hindu) é do seu poder que necessitamos para dançar a dança da transformação – nossa e do mundo ao nosso redor.

Para as mulheres modernas, Kali oferece um arquétipo poderoso para despertar a sua combatividade, aprender a delimitar e defender seus espaços, lutar por seus anseios e objetivos e vencer os demônios dos medos. Reconhecendo a sombra da Mãe Terrível – em si e nos outros – elas também vão saber quando precisam usar a espada da destruição ou o lótus da compaixão.

Descobrir, aceitar, liberar e transmutar a raiva, admitir e libertar-se dos medos e das culpas, identificar e rasgar os véus das ilusões, são etapas necessárias para encarar as sombras, ultrapassar as limitações, trocar de pele e assumir o verdadeiro poder. Não o poder sobre os outros, mas o poder interior que mobiliza a vontade, quebra a inércia e liberta dos grilhões. Somente assim a mulher renascerá para uma nova compreensão e vivência do Sagrado em si, nos outros, na vida e no eterno feminino.

Meditando a respeito da sua feroz apresentação, descobriremos que a sua cor preta evoca o mistério do útero cósmico primordial e do silêncio regenerador da terra. Sua nudez revela a beleza e a singeleza da verdade. Nas mãos ela segura a espada da sabedoria que destrói as ilusões, a tesoura que corta os apegos e as dependências, a cabeça decapitada que recomenda libertar-se do controle pela mente racional e os jogos egóicos, o lótus que promete a expansão da consciência e a realização espiritual. A guirlanda de caveiras é formada pelo colar das existências passadas, amarradas pelo cordão umbilical dos nascimentos futuros. Dançando freneticamente sobre o corpo morto do seu consorte, Kali o reanima, transformando o cadáver (Shava em sânscrito) em Shiva – o deus da dança e do poder fertilizador. As serpentes que envolvem seus braços simbolizam a força transformadora de Shakti, o princípio feminino da sexualidade e da vida, transmitido ao Shiva pela dança de Kali.

Aceitando a idéia da necessidade do processo de destruição para limpar o velho e abrir espaço para o novo, é fácil compreender os amplos atributos de Kali, seja como uma deusa guerreira que usa suas armas com coragem e sem pena, seja como uma deusa mãe criadora e preservadora da vida, bem como a negra ceifadora que acompanha o eterno e imutável processo de decadência, decomposição e regeneração.

Dependerá do seu momento e da sua prioridade conectar se e invocar um destes aspectos, com pleno conhecimento dos seus atributos, bem como tendo a plena consciência da responsabilidade da escolha e das conseqüências do seu pedido. Lembre-se que “às vezes é melhor não pedir do que pedir demais” e que “um presente requer sempre uma retribuição”. Portanto, cuidado com que pedir, pois poderá por Kali ser atendida!

Referências


A DEUSA MÃE – SAGRADO FEMININO. Disponível em: http://www.caminhosdotaro.com.br/deusa-mae/
Sagrado Feminino: O empoderamento através de instintos, ciclos e conexões. Disponível em: http://entrecultura.com.br/2016/07/21/sagrado-feminino-o-empoderamento-atraves-de-instintos-ciclos-e-conexoes/
Fonte: Mirella Faur -http://www.teiadethea.org

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