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Huni Kuin.

Remédio bom tem gosto amargo! Huni Kuin, gente verdadeira da Amazônia

Você conhece a ancestralidade da sua terra? O Brasil tem um enorme território, e nele existem vários climas e paisagens. Da mesma forma, existem muitos povos nativos, os indígenas, que ainda resistem à invasão do homem branco, sustentando uma sabedoria ancestral. Dentre a população indígena que permaneceu após o grande massacre, resite a etnia Huni Kui, no Acre, também conhecidos como Kaxinawá.
No idioma “hatxa kui”, sua língua nativa, Huni Kuin significa “gente verdadeira”. E de tão verdadeiros que são, em sua visão de mundo não são apenas eles a “gente”, mas todos os seres que existem, pois em todos existe o “yuxim”, força vital que há em tudo. Assim, os animais também são Huni Kuins, os chamados encantados, que transmitem ao homem a sabedoria.
Por exemplo, na cultura Huni Kuin, foi o esquilo quem ensinou ao homem a sabedoria do plantio, e o macaco-prego quem ensinou a fazer amor, e assim gerar os descendentes. Os cantos sagrados desse povo sempre saúdam a natureza em toda sua completude, pois é a natureza que traz nossa cura.

A cura da floresta

O povo Huni Kuin é um povo curandeiro, conhecedor das plantas medicinais amazônicas, e através delas curam suas doenças cotidianas e mantém o corpo forte e saudável. Das plantas são feitos remédios de diversas formas e para diversos fins: banhos, chás e defumações.
Mas além do conhecimento medicinal, os pajés usam as plantas para as curas espirituais. Essa é a medicina da floresta, cura das emoções, que faz despertar a compreensão de quem somos e criar uma saúde verdadeira de dentro pra fora. As principais plantas de poder utilizadas são o rapé (deshke), a sananga (betxesha) e a Ayahuasca (Nixi Pae).
Os desenhos na pele também são sagrados, e as mulheres que os fazem utilizando o jeninapo, uma planta pigmentada de cor escura. Os desenhos são chamados de Kene Kuin (desenhos verdadeiros) e são usados na tecelagem, artesania do povo. As formas são recebidas dos planos superiores nas chamadas mirações, que são as imagens visualizadas durante as cerimônias com plantas de poder.

Rapé, o sopro sagrado

A medicina do rapé é uma medicina importantíssima na tradição. Segundo o Livro da Cura do Povo Huni Kuin do Rio Jordão, o rapé tira mau espírito e traz felicidade, bem na vida. É usado em qualquer momento na hora da meditação, auxiliando pra um estado alerta, e protege nosso corpo, curando vários tipos de dor.
O rapé é a mistura do tabaco (Dume) e da cinza de uma árvore sagrada. Através do instrumento chamado Kuripi, o pó é soprado em uma narina de cada vez, conectando a pessoa com a energia de Yuxibu (Deus da criação).

Sananga, o colírio da Amazônia

A sananga ajuda a abrir a visão espiritual, e normalmente é pingado nos olhos antes de caçar. Esse colírio é extraído da raiz de uma planta, e é conhecido por provocar grande ardência nos olhos. Contudo, mesmo com o processo da dor, como dizem os pajés: “remédio da floresta tem gosto amargo, mas cura.” Existem relatos de cura de problemas crônicos nos olhos, como miopia e cataratas. Um dos princípios ativos encontrados na sananga é a Ibogaína, atuante no tratamento contra vícios.

Ayahuasca, a Rainha da Floresta

Essa alquimia da floresta é uma verdadeira guardiã dos mistérios da floresta. Conhecida como Ayahuasca, este chá é a junção de duas plantas: Nixi Pae e Kawa, um cipó e um arbusto. Elas são o masculino e feminino, que unidos resultam num chá expansor da consciência e têm promovido uma missão de despertar na humanidade, popularizado através da religião Santo Daime.

A Floresta na cidade

Através dessas medicinas, os pajés têm despertado suas memórias ancestrais e resgatado os saberes de seu povo, que em muitos locais havia se dispersado graças à imposição cultural da civilização. Assim, despertando sua própria memória, alguns pajés estão saindo da floresta em missão pelo Brasil e pelo Mundo, promovendo curas com essas medicinas sagradas.
O povo Huni Kuin guarda uma sabedoria milenar. Você sente no coração o chamado de se conectar com sua ancestralidade através dessas medicinas? Pesquise nas capitais próximas à sua cidade os guardiões do povo Huni Kuin, que recebem os txais (como se chamam os irmãos indígenas), para participar desses ritos poderosos. Com isso, cada vez mais recursos são gerados, e a cura da floresta possa desperte as memórias pelo planeta! Haux haux, que venha a cura!

Fonte: Patricia Martyres (@natanxy_)
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