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O Zen

Origem do Zen

O Zen é um ramo do budismo que se desenvolveu na China (aí conhecido por Chan) e faz parte de uma antiga tradição com 2.500 anos fundada por Siddharttha Gotama. Este viria a ser conhecido por Buda, que significa simplesmente o “desperto”, e que viveu e morreu como um ser humano e não como um deus objeto de veneração. O Chan irradiou da China para a Coreia (aí conhecido por Son), para o Japão (por Zen) e para o Vietname (por Thien). Nos últimos quarenta anos, aproximadamente, criou raízes em muitos outros países.

Embora a escola Zen se conforme em todos os aspetos aos ensinamentos tradicionais budistas, possui, no entanto, uma espontaneidade que desafia a ortodoxia espiritual tradicional. O Zen é uma prática de transformação dos processos mentais pela atenção dada ao presente. Pratica-se em todas as circunstâncias, no acto de mudar o babete a uma criança, numa reunião de trabalho com colegas, num engarrafamento, a cortar legumes para o jantar, ou sentado no topo de uma remota montanha.

Conhecemos este Agora?
Se responderes “sim”, ignoras este Agora (este tu mesmo), porque este Agora nunca antes apareceu! Nunca aconteceu e nunca o experimentámos. O Isto é totalmente novo e uma vez aqui na eternidade
Hôgen Yamahata

Antes de alguém estudar o Zen, para ele as montanhas são montanhas e as águas são águas; depois de ter algum insight sobre a verdade do Zen através das instruções de um intrutor ou de um bom mestre, as montanhas não são montanhas e as águas não são águas; mas depois disto, quando chega ao lugar da quietuas montanhas são outra vez montanhas e as águas são águas.” (Essays in Zen Buddhism – First Series 24)

Tenho de ser budista para praticar o Zen?

Não. As pessoas que não têm religião ou que praticam outras religiões podem praticar e praticam o Zen. Nem é necessário seguir um determinado guru ou um determinado conjunto de crenças. O Zen é bastante abrangente e não exerce qualquer coação para mudar as crenças espirituais e religiosas individuais. O Zen é uma forma de refinar a vida mediante a observação cuidada e direta da própria mente. O Zen chama a atenção de que cada um de nós é responsável pela sua própria vida e que a sua experiência é o seu único e verdadeiro professor.

Os adeptos de outras religiões e os que não seguem nenhuma religião verificam que podem praticar os ensinamentos budistas porquanto estes nada têm a ver com o adorar ícones ou com a aceitação irrefletida de um dogma, mas simplesmente com a tentativa de despertar para o que está aqui e agora.

Não acredites em nada só porque
é aceite por muitos,
está escrito nos livros
é comunicado por professores e anciãos,
é transmitido pela tradição.
Mas se, após análise, estiver de acordo com a razão e daí resultar
benefício para o bem comum, então aceita isso e vive em conformidade.
(Kalama Sutra)

É evidente que muitos praticantes Zen se comprometem a viver de acordo com os preceitos ou votos budistas, que são muito semelhantes aos dez mandamentos do antigo testamento. Alguns praticantes de meditação usam um pequeno peitilho à volta do pescoço. O peitilho (rakusu em japonês) significa que essa pessoa que o usa tomou votos, e simboliza as vestes remendadas e puídas dos primeiros seguidores do Buda que as faziam a partir de trapos abandonados.

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